Este é um assunto polêmico, muito discutido e muito importante para a formação sadia do bebê.
Em primeiro lugar, existe uma forte influência cultural quando se trata de ensinar o bebê a comer. Muitos paises, como os EUA, tem índices mais tardios de introdução aos alimentos "de adulto". Isso pode ser atribuido ao estilo de criação mais protecionista do que outros paises, por exemplo, a França.
Vejamos a posição de 3 sociedades de pediatria a respeito:
EUA- American Academy of Pediatrics (AAP)
Desaconselha a introdução à solidos antes dos 6 meses salvo em caso de desnutrição, aconselhando então a introdução aos 4 meses. A introdução a pedaços pequenos ou macerados poderá ocorrer a partir dos 10 meses, mas só aconselham pedaços que requerem mastigação (trituração com os dentes) a partir de 2 anos de idade. Até lá deverão ser evitados frutas e legumes inteiros, com uma atenção especial para uvas, tomates cereja e outras frutinhas inteiras. Suas formas redonda facilmente poderão se alojar na garganta e bloquear totalmente a passagem de ar. Biscoitos duros, cachorro quente e cenoura inteiros (mais uma vez, o formato é muito importante. Estes alimentos deverão ser partidos em quartos.), grãos e sementes (semente de girassol, por exemplo), balas ou chicletes também deverão ser evitados totalmente.
Fonte: www.healthychildren.org
Portugal- Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP)
Também desaconselha a introdução precoce (antes dos 6 meses). Porém, a SPP adverte sobre uma janela de oportunidade para a iniciação nos alimentos sólidos afirmando que:
"Se tal não acontecer a partir do meio ano e até cerca dos dez meses, poderá comprometer todo o processo de diversificação alimentar e aumentar o risco futuro de dificuldades na alimentação”.
Também é abordada a necessidade de "des-homogenizar" os alimentos gradualmente dentro do primeiro ano de vida.
Brasil- Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)
Trecho retirando do Manual do Nutrólogo
"Os alimentos complementares podem ser chamados de transicionais, quando são especialmente preparados para a criança pequena até que ela possa receber os alimentos na mesma consistência dos consumidos pela família (em torno dos 9-11 meses de idade). Alimentos utilizados pela família (modificados ou simplesmente alimentos da família) são aqueles do hábito familiar; devem ser oferecidos, inicialmente, em forma de papa, passando para pequenos pedaços e, após os 12 meses, na mesma consistência dos alimentos consumidos pela família. Nesse momento, cabe ao pediatra avaliar a
qualidade dos alimentos consumidos pela família."
Acesse o manual inteiro aqui: http://www.sbp.com.br/pdfs/10478e-Man_Nutrologia.pdf
Percebe-se a grande diferença entre a recomendação dos pediatras brasileiras para os americanos, sendo as crianças brasileiras, conforme indicação pediátrica, muito mais precoces em relação à introdução à mastigação.
Porém, na prática, a história é bem diferente. Tenho observado que a grande maioria de bebês come comida triturada ou papa até os 12 meses, para então transicionar para pequenos pedaços. A mastigação total normalmente acaba acontecendo muito mais próximo dos 2 anos do que antes disso. No final das contas, o hábito do brasileiro, em geral, aproxima-se bem mais ao modelo americano.
Na minha opinião isso é resultado do medo que toda mãe tem de seu bebê engasgar em pedaçõs maiores de alimentos. Eu entendo TOTALMENTE pois compartilho desse medo.
Sugiro então um meio-termo: uma alimentação que introduz os sólidos conforme recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria, porém seguindo as orientações da American Academy of Pediatrics em relação aos alimentos "arriscados".
Evite uvas, tomatinhos, amoras e outros alimentos redondos inteiros. Nunca ofereça cenoura baby, cachorro quente e alimentos com formato similar sem partí-los em pedaços de quarto, nunca redondos. Nunca deixe seu filho comer sem supervisão constante; nunca deixe-o comer em pé ou andando, sempre sentado.
Lembrando que o nosso objetivo final é que o nosso bebê em breve poderá se juntar à família na hora das refeições, dando menos trabalho para as mamães e promovendo mais união na família.
Até a próxima!